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3 de agosto de 2014

Agora é hora de desligar

Sensação parcial de dever cumprido. Mas vontade de fazer mais. Muito mais e melhor. Mobilizar tudo e todos para esta missão que é a de tornar esta casa num lar. Tenho tudo na minha cabeça. Mil ideias. A lentidão a que o orçamento obriga é que me aflige. Se fosse possível, era tudo para ontem. Como não é, agarro-me à crença de que no final saberá melhor ainda. 
Agora é hora de desligar. É hora de sonhar (a dormir). Amanhã será um dia bom. Porque matar-se-ão saudades depois de um dia de trabalho, onde se espera magia. 

Maria Amor

1 de agosto de 2014

"parece que foi ontem"

As semanas voam. Apercebo-me disso quando uma cara que não vejo há 7 dias aparece novamente e a verdadeira sensação do "parece que foi ontem" se instala.
Não vai ser um fim-de-semana fácil. Espero, do fundo do coração, que seja de mudança. Para melhor.
Espero que os frutos comecem a aparecer.

Maria Amor

17 de abril de 2014

É luxo

Sempre adorei trabalhar durante a noite, quando tudo acalmava, quando parecia não haver mais nada para viver nesse dia. Uma ideia tonta de que não estava a queimar horas do meu dia, nem a prescindir da companhia de ninguém para trabalhar.
Enquanto era estudante foi fácil manter esse ritmo, essa opção. O despertador nunca tocava cedo, as aulas não eram obrigatórias, a minha gestão sempre foi eficaz.
Quando a vida de trabalho começou, o caso mudou de figura. A noite tem de ser para dormir. O despertador começou a tocar a horas certas e o cansaço começou a deixar de dar tréguas. E dei por mim a lutar contra o sono sempre que tentava estender a noite de trabalho para além das duas, três da manhã.
Tive que me adaptar às mudanças. É sempre assim. Temos de correr para a frente, antes que fiquemos para trás.
Descobri que afinal sabe bem chegar a casa e não ter de pensar em trabalho até às quinhentas. Mas o dia tem de render, obrigatoriamente.
Descobri que sabe bem estar num café, com barulho à volta, com vida a acontecer, mas dentro da minha bolha: a trabalhar.
A tarde rendeu tanto, mas tanto. Fiz praticamente tudo o que precisava e regresso a casa com a sensação de dever cumprido e o computador desligado. Fim-de-semana à porta. Amor perto.
Sinto que isto sim, é aprender.
Sinto que isto sim, nem sempre é fácil.
Sinto que isto sim, é crescer.
Sinto que isto sim, é luxo.

Maria Amor

14 de abril de 2014

Sinto-me meio atordoada

Há momentos da vida em que não temos tempo de pensar, de respirar, de parar um minuto e "re"focar. Há alturas da vida em que tem de ser bola para a frente, sem parar, sem perder tempo. E, depois, uma semana ou duas depois, abrandar. Fazer um balanço, ver os arranhões, as amolgadelas, perceber se dá para continuar mais um pouco assim ou se tem de ser para já a reestruturação.
Foi uma semana a 17, 18 horas por dia. Poucas horas de sono, zero de lazer. Foi o início de algo que se espera muito bom, com muito frutos.
Sinto-me meio atordoada. Parece que levei um grande abanão (dos bons) e me estou a tentar recompor, entrar nos eixos. É muita, muita coisa ao mesmo tempo. O cansaço, ao final do dia é, invariavelmente, gigante e as coisas que me dão realmente gozo têm ficado para segundo plano.

Não quis acreditar quando ele, este fim-de-semana, me confrontou com o meu sono permanente e a falta de vontade de fazer amor. Confesso, passei-me! Fiquei magoada por ele sequer equacionar que o desejo menos. Fiquei magoada pela falta de compreensão. Dormi menos de quatro horas em cada noite da semana passada. Estava literalmente de rastos e desengane-se quem pensa que esta "queixa" tem fundamento. Dei o corpinho ao manifesto (salvo seja) como se tivesse passado uma semana santa de oito horas de sono por dia. Enfim, um mal agradecido que tem aqui uma namorada como há poucas e ainda vem com tretas. Eu no fim-de-semana já lhe digo.
Brincadeiras à parte, é tão difícil gerir o tempo e a energia que gastamos com o trabalho. Quando chego aos braços dele, por mais desejo que haja, a minha vontade é adormecer no meu porto seguro, deixar-me ficar, apenas.

Maria Amor


9 de abril de 2014

Lugar maior

Três horas e pouco de sono. Três da madrugada e os olhos sem fechar. A ansiedade não deixou que fosse mais cedo. Acordar antes do despertador tocar. Seis e cinquenta e sete. A ansiedade não deixou que fosse mais tarde.
Primeiro dia de um novo ano. Um estado de nervos nunca antes visto. Uma vontade de dizer que sim a tudo, à vida.
Um dia longo, tão completo, a transbordar. Um dia em que percebi que apesar de ser uma sonhadora pessimista, a vida teima em "empurrar-me" para o optimismo. Encontros, muito mais que do que os desencontros. A importância dos sonhos. O sentido do "caminho se fazer caminhando". Há momentos em que tenho de reconhecer, sou uma sortuda (que tem feito, em boa medida, uma corrida pela sua própria sorte). Meio perdida, às vezes, mas sempre com a convicção de que "isto tudo" há-de ser por um lugar maior
Um dia terei de ceder. Ao optimismo.

Maria Amor


7 de abril de 2014

Resoluções

Há quem faça resoluções de ano novo na passagem de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro.
Eu faço-as a 7 de Abril. Porque sim! É agora que faz sentido. É agora que terá início um novo ciclo. É  partir de agora que farei um esforço acrescido para mudar, de verdade. Deixar para trás uma quantidade de maus vícios e abraçar de peito aberto o que virá de bom.
Porque virá, com toda a certeza.

Maria Amor

28 de março de 2014

Sorri genuinamente

Queria ser capaz de escrever mas as pestanas pesam toneladas. Estou a adormecer com o computador ao colo, cenário que se vem tornando um hábito nos últimos tempos.
Mas tinha que registar isto.
Tinha que dizer que quando saí do trabalho, tinha o carro quase a um quilómetro e estava a chover.
Tinha que escrever que vi o sol de frente e procurei instintivamente um arco-íris. Não encontrei.
Segui viagem e, de repente, lá estava ele!
Empoleirei-me para perceber onde era o fim. Apreciei. E, pensei, "Quando há dois é que é!".
Há pessoas assim, sempre meio insatisfeitas, como eu.
Já a chegar casa, olhei aleatoriamente para o céu. O segundo arco-íris, tímido, espreitava.
Sorri genuinamente.
Satisfeita.

Maria Amor

27 de março de 2014

O que se faz a um amor destes?

Entorpecimento. Foi o que senti ao receber a notícia. Incredulidade. Uma falta de ar. Uma compaixão e pena tão avassaladoras. Ninguém devia morrer. Ninguém devia morrer, antes de nascer.
Não é imaginável a dor deles. Faltavam dois meses. E eu, com o cérebro paralisado, só conseguia focar-me na ideia de que havia estado sempre tudo bem e de que eles já tinham tudo... Tudo! Só faltavam dois meses.
Passou quase uma semana e ainda não se tornou real em mim. Apesar de ser o pensamento de todas as horas.
É uma indignação para com a vida. Inexplicável. É um medo antecipado de um dia ser eu a viver uma dor que me irá engolir.
E os sonhos? E os planos? E o amor? Um amor tão grande que já o era antes de ser. Que se tornou num sofrimento proporcional.
Porra, o que se faz a um amor destes?

Maria Amor


19 de março de 2014

Obrigada Pai

Dia do Pai.
Um dia para pensar. Um dia não muito fácil.
Um beijo dado por telefone. Com lágrimas engolidas a seco. Com saudade e culpa. Com muita pena de escolhas feitas outrora.
Ainda assim, com um amor que nos ensinaram incondicional: capaz de tudo. De perdões muito maiores que a tal culpa. De um gostar sem fim. De uma compreensão para além dos gestos e das palavras. De um saber que estamos sempre, sempre lá.
No fim, acredito que estarás sempre lá para não deixar que nada, nada de mal nos aconteça.
No meio de tantas voltas e reviravoltas que esta vida tem dado, apesar de tudo, tudo, tudo, Obrigada Pai.

Maria Amor

P.S. - Provavelmente, nunca lerás estas palavras. Sei que as sentes. Tal como eu.

12 de março de 2014

A semana vai voar, pressinto

Hoje foi como se fosse segunda-feira. Ontem não trabalhei. O corpo recusou-se. A mente também. Entreguei-me à tristeza e a desesperança levou a melhor. Mal sabia que hoje iam chover convites e propostas, de projectos, de comunicações. Porque, disseram-me, "Tens tanto jeito para falar com as pessoas."
Foi assim uma espécie de chapada. Quase um "abre os olhos para a vida".
Meti mãos ao trabalho e ainda aqui estou. O cérebro não pára. Ainda sem ideias concretas mas num fervilhar imenso e intenso.
A semana vai voar, pressinto.

Maria Amor

27 de fevereiro de 2014

Tinha de espairecer

Dia de L-O-U-C-O-S!
Há mais de uma hora que me obriguei a terminar o trabalho. Os olhos, de tantas horas em frente ao computador, num trabalho de escrita e revisão de texto, já lacrimejavam.
Inspirar fundo, rever mentalmente tudo o que aconteceu hoje - acordar já com um pé dentro do atraso, escrever, reler, apagar, rescrever, traduzir, telefonemas, almoço a correr, miminhos inesperados ao bebé da família a meio da tarde, mais leitura, trânsito e dois pés em cheio no atraso, explicação a mil e quinhentos à hora, jantar (encostada à bancada da cozinha) e risota desmedida pelas desgraças desta vida, mais e mais telefonemas (que não tinham fim!), finalizar textos, e-mail composto, e-mail enviado. Namorar à distância nos entretantos.
Recapitular tudo o que terá continuação nos próximos dias.
Mas tinha de espairecer.
À falta de um livro à mão para ler (imagine-se!) continuei por aqui. Revi-me no amor fofinho que a Sofia (do às 9 no meu blog) tem agora. Tive saudades do peludo cá de casa quando era daquele tamanhinho. Agora já com um ano. Enquadrei-me, vergonhosamente, no perfil de preguiçosa traçado pela Pipoca. Pensei no repto lançado por uma amiga "Como representar a verdade" - TALVEZ O SOL - necessário, penetrante, omnipresente, quente, doloroso, certo.
Amanhã a hora de acordar será às oito. E tudo continuará a acontecer...

Maria Amor


18 de fevereiro de 2014

Bicos dos pés

Quando nos apercebemos que vivemos há demasiado tempo com a sensação de andar em bicos dos pés torna-se assustador. Porque nos parece que só assim iremos conseguir respirar. Com ou sem necessidade, dos bicos dos pés. Mas torna-se um vício, parte de nós.
É fácil ver a felicidade na simplicidade. A felicidade dos outros. A minha está no limbo. Entre o sentimento de nunca ser alcançada e o de poder ruir a qualquer momento.
Não consigo ultrapassar a ideia de o tempo ser tão pouco. Fariam falta umas cinco vidas, para tudo. E o que isso me entorpece? Perco as noites, e os dias depois, e a crença, e a esperança. 
Na verdade, sinto que por mais que aguente os bicos dos pés, a vida não me chegará. Para a felicidade.

Maria Amor

6 de fevereiro de 2014

Sortuda?

Insistem na bipolaridade. Admito, tenho uma quedinha. Todo o dramatismo, o choro à mistura com um power desmedido. São alguns dos ingredientes que me fazem dar-lhes razão. Talvez por isso tenha a mania de que sou um bocadinho especial (ainda não cheguei bem à conclusão do "para quem?").
A vida, ultimamente, tem sido uma constante viagem entre o "Não me apetece" e o "Tem de ser". O porquê? Não sei. Gostaria de descobrir, mas não me apetece. Até quando tiver de ser.
Oiço, frequentemente, "És uma sortuda!". De há dois anos a esta parte, momento em que terminei o mestrado, o trabalho chove. Ainda não chegou um contrato ao fim e já há propostas e ideias e projetos e trabalho, trabalho, trabalho.
Racionalmente, sim, sou sortuda. Com o coração... Não me sinto. Não quero ser ingrata (sei que não sou, visto a camisola como vejo poucos, meto a mão na massa como se a minha vida disso dependesse), mas com o coração não me sinto sortuda, nem feliz, nem realizada.
Dou voltas e voltas à cabeça e fazer disto vida, não será vida. Não, pelo menos, para mim. Veremos...

Maria Amor