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4 de agosto de 2014

Vai ser

Trocas e baldroca, planos adiados. Confesso que, secretamente, era o que mais desejava. Ainda não tive "a ideia". Sei que vou tê-la, quando algo dentro de mim me disser que "é desta que já não vai haver mais adiamentos". No entretanto, vou despachando outras coisas. As horas passam a correr e daqui a pouco chega o meu céu.
Vai ser amor (aos montes), brincadeiras (tontas), conchinha (para adormecer), divagações (pela noite fora), eu (com ele), fofices (muito boas), gordices (entre nós), histórias (de princesas e príncipes), invenções (daquelas que doem!), J. (tu, tu, tu!), lamechices (que o enjoam), miminho (que o derrete), nós (sempre), oó (descansado), paz (com ele), queridicies (a toda a hora), risos (nossos), sorrisos (cúmplices), tontices (que só ele entende), utopias (a nossa vida) , verdades (constantes), X (proibições), zangas (tontas). 

Maria Amor

Só isso, fará deste dia um dia bom

Mais uma semana a começar. A entrar obrigatoriamente com o pé direito.
Ao final do dia vou reencontrar o sorriso mais querido, aquele que me preenche. Só isso, fará deste dia um dia bom. Afinal de contas, tudo está bem quando acaba bem.
Até lá, muito trabalho pela frente. O verbo acreditar tem de ser conjugado em todas as seis pessoas, com figas à mistura e o grande desejo de cair em graça (porque, já dizia a minha avó, mais vale cair em graça do que ser engraçado).
Uma ideia a ganhar contornos regada a café, café e mais café. Costumava ser tão criativa. É preciso respirar fundo para que entre a pressão da uma data final e uma reunião importante o cérebro voe e faça magia.

Maria Amor

23 de junho de 2014

Temos que nos contentar com segundas opções

A segunda-feira nunca é fácil. Há quase um ano que começa com um Adeus. E os "Adeuses" doem. Doem no passar das horas. Doem quando se chega a casa e aquele sorriso que nos preenche não está. Doem na altura de nos aninharmos para dormir. Doem quando pensamos no começo de um novo dia.
Mas a vida, neste momento, é assim. Não pode mesmo ser de outra forma. E cabe-me aceitar. Contrariar a tristeza. "Forçar-me a ter forças" e vontade de brilhar. Obrigar-me a ver coisas boas e positivas (que as há) quando só me apetece entrar em negação total.
Só faltam duas horas para terminar o dia de trabalho. Há dias em que temos que nos contentar com segundas opções e, hoje, o aconchego da minha casa, mesmo vazia, é uma boa segunda opção.

Maria Amor

18 de junho de 2014

Magoa o coração

Não consigo conceber que uma pessoa viva em sofrimento por causa do trabalho. Aliás, sei bem o que isso é. O que na realidade não consigo aceitar é que uma pessoa sofra e não faça nada para que isso mude, seja trabalho ou outra coisa qualquer.
O trabalho acaba por saltar à vista porque é algo com que temos de lidar todos os dias, oito horas por dia, no mínimo. Obviamente, ao fim de um tempo, o sofrimento pelo qual estamos a passar torna-se totalmente insustentável e uma pessoa "passa-se de vez".
Já estive assim. E, de facto, só fui capaz de agir quando cheguei a um limite, a um extremo. Quando me apercebi que a minha vida estava a ficar dominada por todo aquele azedume e desespero. Quando o choro era constante. Quando nada do que me dissessem ou acontecesse de bom no meu dia-a-dia me fazia sorrir.
Mas, com o meu sofrimento posso eu bem. A maior dor é ver a pessoa que mais adoro a passar por isto, e não conseguir fazer absolutamente nada. É uma impotência que magoa o coração. 

Maria Amor

17 de junho de 2014

Aliás...

Que dia "chocho". Não gosto desta palavra. Tal como não estou a gostar do dia.
As horas estão a demorar a passar. Não vou poder ir directa para casa. Ainda só é terça-feira. Estou com um humor de cão.
Apesar de não me poder queixar grandemente da minha vida, estar longe de quem amamos custa. E há dias em que custa mais do que outros. Dias como o de hoje. Dias em que ambos estamos de mal com isto tudo. E depois, não há meio de haver aquele olhar reconciliador. Não há a possibilidade de abraço que serenaria as almas mais inquietas. São estes momentos que realmente me revoltam. Quando estamos juntos não há mal que não passe rápido. Quando estamos longe, qualquer grão de areia parece um pedregulho dentro do sapato.
Discute-se o futuro. Ou a falta de perspectiva de futuro. Dói na alma ter de sonhar pouco. Dói na alma não poder ser eu... nesta parte dos sonhos. Porque sempre sonhei muito e muito alto. Dou por mim a puxar-me para a realidade, continuamente, e é uma treta. Mas não há forma. A distância que é muita, o dinheiro que é pouco, o emprego, que vai sendo. Como dar a volta a estas questões de base? Como sonhar para além de tudo isto? Aliás, como fazê-lo sonhar apesar de tudo isto? Um realista incurável. Optimista, mas duramente realista.

Maria Amor

11 de junho de 2014

O que me alegra?

Fim-de-semana tão bom. Alguns passos percorridos no caminho de aprender a não fazer nada. É loucura, eu sei. Normalmente é ao contrário, também sei. Passar dois dias sem ligar o computador porque tenho de terminar um trabalho urgente, porque tenho de enviar um e-mail que não pode esperar umas horas, porque tenho de acrescentar um vírgula aqui ou ali não é uma coisa fácil para mim. Não o é porque foi tempo de mais neste registo e, apesar de toda a fartura que pudesse ter, era um modo de estar (que acabava por fazer mais mal aos que me rodeavam do que propriamente a mim, que nunca dramatizei o facto de não ter um fim-de-semana só para descansar).
Mas tenho feito um grande esforço. Durante o dia, em que estou distraída, a coisa corre bem. Quando a noite começa a cair, confesso, sinto uma ansiedade crescente. "Não fiz nada o fim-de-semana inteiro, como é possível?", é este tipo de pensamentos que me assalta.
Mas aí entra ele, com toda a sua descontracção, e me relembra o significado do conceito "fim-de-semana".

Hoje foi um regresso ao trabalho com muita motivação. Por ser quarta-feira mas, também, por ter descansado. É esta a grande diferença que noto no início das semanas, venho renovada! No entanto, continuo a contrariar todas as regras de gestão do tempo que conheço (burra!) e ando aqui num pandemónio a tentar dar conta do recado. O que me alegra? É trabalho de escrita. E posso escrever (mais ou menos) à minha vontade. E foi num ápice enquanto a manhã passou. E daqui a pouco, é fim-de-semana outra vez.

Maria Amor

6 de maio de 2014

Lado a lado

Percebo a cada dia que é na nossa diferença que crescemos. Que é no chegarmos um ao outro que nos construímos. Talvez por paixão. Que só assim a diferença e a nossa individualidade ganham lugar, no outro. Talvez por isso o amor seja, afinal de contas, uma construção. E talvez seja por paixão que a ponte construída se mantém.
Não sei. Sei que me encontro na nossa diferença. Sei que é nela que descubro onde sou forte. Sei que é nela que não tenho medo de não ser assim tão forte. Sei que estás sempre do outro lado, e do meu lado. Sei que estás sempre ao meu lado. Lado a lado. 
Tenho uma imensa sorte.

Maria Amor

5 de maio de 2014

As pessoas

Poderia escrever sobre o sol. Sobre o mar. Sobre o vento levezinho que tornava tudo mais agradável. Mas não. As pessoas, muito mais do que outra coisa qualquer, são o que nos faz. E se às vezes sabem bem palavras, muitas palavras, noutras vezes basta a presença. E o sol brilhou mais porque nos reflectiu. 

Maria Amor

14 de abril de 2014

Sinto-me meio atordoada

Há momentos da vida em que não temos tempo de pensar, de respirar, de parar um minuto e "re"focar. Há alturas da vida em que tem de ser bola para a frente, sem parar, sem perder tempo. E, depois, uma semana ou duas depois, abrandar. Fazer um balanço, ver os arranhões, as amolgadelas, perceber se dá para continuar mais um pouco assim ou se tem de ser para já a reestruturação.
Foi uma semana a 17, 18 horas por dia. Poucas horas de sono, zero de lazer. Foi o início de algo que se espera muito bom, com muito frutos.
Sinto-me meio atordoada. Parece que levei um grande abanão (dos bons) e me estou a tentar recompor, entrar nos eixos. É muita, muita coisa ao mesmo tempo. O cansaço, ao final do dia é, invariavelmente, gigante e as coisas que me dão realmente gozo têm ficado para segundo plano.

Não quis acreditar quando ele, este fim-de-semana, me confrontou com o meu sono permanente e a falta de vontade de fazer amor. Confesso, passei-me! Fiquei magoada por ele sequer equacionar que o desejo menos. Fiquei magoada pela falta de compreensão. Dormi menos de quatro horas em cada noite da semana passada. Estava literalmente de rastos e desengane-se quem pensa que esta "queixa" tem fundamento. Dei o corpinho ao manifesto (salvo seja) como se tivesse passado uma semana santa de oito horas de sono por dia. Enfim, um mal agradecido que tem aqui uma namorada como há poucas e ainda vem com tretas. Eu no fim-de-semana já lhe digo.
Brincadeiras à parte, é tão difícil gerir o tempo e a energia que gastamos com o trabalho. Quando chego aos braços dele, por mais desejo que haja, a minha vontade é adormecer no meu porto seguro, deixar-me ficar, apenas.

Maria Amor


4 de abril de 2014

Estou meio

Uma semana passada a mil.
Terça-feira a melhor surpresa do mundo e a razão de não ter conseguido ter tempo para nada. O melhor motivo para terem deixado de existir regras, deadlines e grandes planeamentos. Três da tarde e o telefone toca: "Queres beber um café?". Pensei que se tinha enganado. Pensei que estaria a meter-se comigo. Saio do bloco e dou de caras com ele. Era suposto estar a mais de 150Km de distância, mas como o tempo se aliou a nós, e com chuva não se trabalha, foi uma semana cheia de tudo o que é bom e me faz feliz.
Nos entretantos do namoro e do trabalho, recebi a notícia que vai mudar a minha vida no próximo ano: a juntar ao trabalho todo que já tenho, começo na terça-feira, noutro sítio, a ter um horário das 8 às 6. Questiono-me como vou sobreviver (?!).
Estou meio em choque, meio em transe, meio histérica, meio... Vou pensar na vida e reorganizar esta maluqueira toda. Este fim-de-semana devia durar uma semana inteira, para meter tanta coisa que me faz falta em ordem.

Maria Amor

30 de março de 2014

Senão o peito de uma pessoa não aguenta

Uma sopa a meio da tarde para acalmar os ânimos provocados por um trabalho atrasado. Trabalho terminado.
Música daquela mesmo antiga, da adolescência enquanto espero pelo melhor abraço do mundo, só mais um bocadinho.
Inspirar e ganhar forças para a loucura que aí vem, dentro de uma ou duas semanas. Entretanto, despedir-me e resignar-me a mais cinco dias de distância.
Cada dia é diferente e isso é tão bom. É ao que me agarro.
As rotinas precisam-se, e criar-se-ão, quando for imprescindível. Por agora, acredito que me vou deixando viver, ao ritmo que vai sendo imposto.
Isto tem de ser com calma, senão o peito de uma pessoa não aguenta.

Maria Amor

18 de março de 2014

E saboreio, saboreio

Todos os dias deveriam terminar como o de ontem. Tanto amor. E desejo. E mimo. E urgência (de ti). E calma (por te ter).
Todos os dias deveriam começar como o de hoje. Com conversas sobre a vida. Com conversas para a vida. Daquelas que libertam (a alma) e nos prendem (o coração).
Todos os dias deveriam ser cheios. De amor, de amizade, de pequenas pausas, de conquistas (em nós, e nos outros), de sentimentos bons. Às vezes não são. 
Mas ontem e hoje, sim. Com uma intensidade que cunha em mim algo tão  genuíno. Talvez seja disto que é feita a felicidade.
E saboreio, saboreio. E não me canso. E é também a gratidão, que se sente aqui dentro.

Maria Amor

7 de março de 2014

Só tu podes ver-me a alma

Ontem por volta desta hora, no escuro, acordei. Abri os olhos e lá estavas tu, muito calado, a mirar-me. 
Por um segundo, assustei-me!
Aninhei-me, mais ainda. Adormeci.
Sabes, só tu podes ver-me a alma, assim.
Amanhã será um dia bom, tu estarás de novo aqui. E eu saberei que me guardas.

Maria Amor

5 de março de 2014

Um cigarro

Observo-o a enrolar um cigarro.
Como tudo é sexy nele. Os dedos a apalparem o tabaco, ainda dentro da onça. Como que a escolher minuciosamente os fiapos que lhe darão o maior prazer. O filtro colocado no sítio e, num ápice, sai o cigarro mais perfeito. Coloca-o na boca e vai fazer qualquer coisa, nada urgente, nada importante.
Olho de relance, ele apercebe-se e pisca-me o olho. "Sacana, dás cabo de mim com essa malícia."
Acende o cigarro, uma barofada de fumo é projectada.
Desarmas-me.

Maria Amor

4 de março de 2014

Vou derreter-me

Não foi um dia com máscaras, muito pelo contrário. Foi um dia de verdade. A somar aos três que já lá vão. Poder acordar, passar o dia e voltar a adormecer na companhia da pessoa mais importante é uma felicidade só.Ser eu mesma, dividir cada pedaço de mim, rir muito.
Gostava que todos os dias fossem assim, ausentes de ausência. Preenchidos de mimo. Cheios de significado. Dias em que cada acordar faz sentido. (Estou cansada do sentimento de saudade que vulgarmente me dá  os bons-dias e as boas-noites.)
Já não vai durar muito, esta pausa que a vida me deu, mas sabe sempre a céu. Dentro de instantes o sorriso por detrás do mau-feitio causado por um dia  de trabalho irromperá e eu, vou derreter-me.

Maria Amor