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6 de maio de 2014

Não é?

Não estou feliz. Neste momento não estou. Não me sinto realizada nem a nível pessoal, nem profissional. Ui, a nível profissional.
Mas, tenho aprendido, às vezes temos a necessidade de acreditar que até nem está tudo assim tão mal, ou que irá tudo ficar bem.
E vivemos assim, neste meio engano, que torna as ausências suportáveis. Que nos faz continuar a percorrer o caminho que sabemos, só de coração, ser o certo. E no meio disto tudo, tentamos continuar a ouvir-nos, tentamos escutá-lo sempre, aos gritos baixinho a pedir para chegarmos rápido. Nem sempre é tão rápido como desejaríamos.
Certo que a felicidade se encontra no caminho e não só na meta. Mas e ensinar-lhe? É ir vivendo. Mas a urgência em chegar é tanta.
Descobri numa conversa aleatória qual é o meu verdadeiro problema. Não podemos mudar o mundo, palavras de um amigo. E, ao ver a coisa tão clara assim, percebi. E mesmo desiludida, mesmo ciente dessa realidade, houve uma parte de mim que não conseguiu acreditar. Haverá sempre pessoas que valem a pena. E tenho uma mão cheia delas perto de mim. E com essas, junto dessas, sei que é possível muito mais que mudar o mundo. Isto é uma prova irrefutável de ingenuidade e crença, não é?


Maria Amor

16 de janeiro de 2014

Pergunto-me "Porquê?"

A lista de coisas para fazer é interminável. A vontade para começar é interminavelmente grande.
Bem tento manter os níveis de energia e otimisto sempre lá em cima mas, que raio, como é difícil, às vezes. Tento encontrar inspirações (imagens, pessoas, frases, e sei lá que mais!), tento ser racional e pensar em não deixar para amanhã o que posso fazer hoje (porque amanhã saberá tão bem ter tudo terminado e não andar a correr contra o tempo para conseguir o quase impossível), tento isto, aquilo e o outro. A verdade é que a procrastinadora que há em mim ainda consegue, volta e meia, vencer algumas batalhas. E estes dias são horríveis, porque chegam ao final sem qualquer sentimento de dever cumprido, sem alívio, sem satisfação, mas com um cansaço enorme e uma consciência pesada por não ter feito nada de jeito.
A lição está mais que sabida. As sensações são mais que familiares, a de ter feito tudo e a de não ter feito nada. Sei bem da que gosto mais, mas nem sempre consigo meter mãos ao trabalho com a prontidão que devia ("ainda há tempo para fazer isto durante a tarde de amanhã, ou mais logo, ou às seis e meia da manhã, se me matar a acordar mais cedo...") e é um desassossego interno que me esgota.
Pergunto-me "Porquê?". E a resposta mais sincera que consigo encontrar é um puro e simples "Porque não me apetece"! Porque não me revejo no que estou a fazer profissionalmente e isso é uma grande chatice que me empata e desgasta o espírito. Porque só me apetece ler e escrever.

Maria Amor