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21 de maio de 2014

Nãos e pontos finais

Quando me sinto desconfortável com isto tudo a que chamo vida, e não são tão poucas vezes assim, dá-me para pensar. Sobre mim, sobre os outros, sobre as várias situações. Tenho chegado, consistentemente, a uma conclusão: quando uma coisa não me interessa e não se encaixa no percurso profissional que tenho tentado traçar, por melhor que ela pareça vista de fora, com os olhos dos outros, não vale a pena. Só vai servir para me roubar minutos de felicidade, para me deixar angustiada, para me cansar.
Depois de todos os esforços para gerir esta situação, sem pensar em abandonar o barco, neste momento é a única solução que vejo. Não há respeito, não há consideração e, infelizmente, os ganhos pessoais não são mesmos nenhuns.
Encontro-me no pleno exercício de aprender a dizer "não" e a colocar "pontos finais". Só traz coisas boas, mas é tão difícil.

Maria Amor

17 de abril de 2014

É luxo

Sempre adorei trabalhar durante a noite, quando tudo acalmava, quando parecia não haver mais nada para viver nesse dia. Uma ideia tonta de que não estava a queimar horas do meu dia, nem a prescindir da companhia de ninguém para trabalhar.
Enquanto era estudante foi fácil manter esse ritmo, essa opção. O despertador nunca tocava cedo, as aulas não eram obrigatórias, a minha gestão sempre foi eficaz.
Quando a vida de trabalho começou, o caso mudou de figura. A noite tem de ser para dormir. O despertador começou a tocar a horas certas e o cansaço começou a deixar de dar tréguas. E dei por mim a lutar contra o sono sempre que tentava estender a noite de trabalho para além das duas, três da manhã.
Tive que me adaptar às mudanças. É sempre assim. Temos de correr para a frente, antes que fiquemos para trás.
Descobri que afinal sabe bem chegar a casa e não ter de pensar em trabalho até às quinhentas. Mas o dia tem de render, obrigatoriamente.
Descobri que sabe bem estar num café, com barulho à volta, com vida a acontecer, mas dentro da minha bolha: a trabalhar.
A tarde rendeu tanto, mas tanto. Fiz praticamente tudo o que precisava e regresso a casa com a sensação de dever cumprido e o computador desligado. Fim-de-semana à porta. Amor perto.
Sinto que isto sim, é aprender.
Sinto que isto sim, nem sempre é fácil.
Sinto que isto sim, é crescer.
Sinto que isto sim, é luxo.

Maria Amor

9 de abril de 2014

Lugar maior

Três horas e pouco de sono. Três da madrugada e os olhos sem fechar. A ansiedade não deixou que fosse mais cedo. Acordar antes do despertador tocar. Seis e cinquenta e sete. A ansiedade não deixou que fosse mais tarde.
Primeiro dia de um novo ano. Um estado de nervos nunca antes visto. Uma vontade de dizer que sim a tudo, à vida.
Um dia longo, tão completo, a transbordar. Um dia em que percebi que apesar de ser uma sonhadora pessimista, a vida teima em "empurrar-me" para o optimismo. Encontros, muito mais que do que os desencontros. A importância dos sonhos. O sentido do "caminho se fazer caminhando". Há momentos em que tenho de reconhecer, sou uma sortuda (que tem feito, em boa medida, uma corrida pela sua própria sorte). Meio perdida, às vezes, mas sempre com a convicção de que "isto tudo" há-de ser por um lugar maior
Um dia terei de ceder. Ao optimismo.

Maria Amor


19 de março de 2014

Obrigada Pai

Dia do Pai.
Um dia para pensar. Um dia não muito fácil.
Um beijo dado por telefone. Com lágrimas engolidas a seco. Com saudade e culpa. Com muita pena de escolhas feitas outrora.
Ainda assim, com um amor que nos ensinaram incondicional: capaz de tudo. De perdões muito maiores que a tal culpa. De um gostar sem fim. De uma compreensão para além dos gestos e das palavras. De um saber que estamos sempre, sempre lá.
No fim, acredito que estarás sempre lá para não deixar que nada, nada de mal nos aconteça.
No meio de tantas voltas e reviravoltas que esta vida tem dado, apesar de tudo, tudo, tudo, Obrigada Pai.

Maria Amor

P.S. - Provavelmente, nunca lerás estas palavras. Sei que as sentes. Tal como eu.

5 de março de 2014

Mesmo sem lho ter dito por palavras

Ter uma irmã é ter o amor incondicional de que um dia ouvimos falar. É um amor genuíno. Que não precisa de grande coisa para se alimentar. É um saber constante de que se o nosso mundo ruir, essa pessoa estará lá certamente. Para dar colo, para fazer coisas tontas tal e qual quando éramos pequenas, para não nos exigir grandes explicações.
É podermos mostrar as nossas maiores fraquezas, é pensar que nos estamos a zangar a sério e passados trinta segundos está tudo bem. É rir de coisas que não têm piada nenhuma. É termos uma amizade em que não temos interesses comuns, em que os feitios são diferentes, em que as opções de vida estão longe de ser semelhantes mas, ainda assim, é a amizade mais certa. É unirmo-nos contra as injustiças do mundo debaixo de uma manta e um balde de pipocas. É um querer mais para ela do que para mim e saber que ao contrário é igual. É um olhar cheio de carinho e admiração, por tudo o que ela é e representa. Mesmo sem lho ter dito por palavras.

Maria Amor

27 de fevereiro de 2014

Tinha de espairecer

Dia de L-O-U-C-O-S!
Há mais de uma hora que me obriguei a terminar o trabalho. Os olhos, de tantas horas em frente ao computador, num trabalho de escrita e revisão de texto, já lacrimejavam.
Inspirar fundo, rever mentalmente tudo o que aconteceu hoje - acordar já com um pé dentro do atraso, escrever, reler, apagar, rescrever, traduzir, telefonemas, almoço a correr, miminhos inesperados ao bebé da família a meio da tarde, mais leitura, trânsito e dois pés em cheio no atraso, explicação a mil e quinhentos à hora, jantar (encostada à bancada da cozinha) e risota desmedida pelas desgraças desta vida, mais e mais telefonemas (que não tinham fim!), finalizar textos, e-mail composto, e-mail enviado. Namorar à distância nos entretantos.
Recapitular tudo o que terá continuação nos próximos dias.
Mas tinha de espairecer.
À falta de um livro à mão para ler (imagine-se!) continuei por aqui. Revi-me no amor fofinho que a Sofia (do às 9 no meu blog) tem agora. Tive saudades do peludo cá de casa quando era daquele tamanhinho. Agora já com um ano. Enquadrei-me, vergonhosamente, no perfil de preguiçosa traçado pela Pipoca. Pensei no repto lançado por uma amiga "Como representar a verdade" - TALVEZ O SOL - necessário, penetrante, omnipresente, quente, doloroso, certo.
Amanhã a hora de acordar será às oito. E tudo continuará a acontecer...

Maria Amor


21 de janeiro de 2014

Cansada de ler meias frases

Estou em casa, metida debaixo de mil mantas, num quentinho inigualável, à espera que ele chegue. Já fumei para cima de dez cigarros (shame on me!) mas só de pensar que amanhã esta calmaria já se foi, vou aos píncaros. Ter de vestir a pele de forte e inquebrável deixa-me cansada por antecipação. Trabalhar que nem uma condenada, de graça, vestir a camisola mais do que aqueles que recebem 3000 euros por mês e andar com um sorriso na cara à espera de tempos melhores e frutos para colher, nem sempre é fácil.
Em boa verdade, o post anterior aguçou-me o desejo e quando ele entrar em casa, não haverá tempo para banhos nem coisa que se pareça.
Vou dizer-lhe o quanto o quero, não o vou deixar passar da entrada, vou saboreá-lo depois de um dia longe, vou levá-lo ao limite. Com sofreguidão. Com poucas palavras. Com tesão. Vou dizer-lhe que o quero sentir em mim.
E se pareço pouco sensível, ou que amo menos, ou isto ou aquilo, não é nada disso. Só estou cansada de ler meias frases, cansada de pessoas bem comportadas que não escrevem o que sentem, ou escrevem, mas com floreados desnecessários. E se há dias em que as ladainhas amorosas me preenchem, o fazer amorzinho e etc. me chegam, hoje não é um desses dias.
Apetece-me fazer sexo, dar uma, vir-me. Apetece-me deixar vir ao de cima isso tudo. É a vida

Maria Amor