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6 de junho de 2014

Há muito, muito tempo

Tudo está bem quando acaba bem. Foi uma semana vivida no rescaldo da decisão tomada. Uma decisão que não foi aceite pela chefe. Que não foi, infelizmente, nada cordial na forma como mo fez saber.
Depois de dias em que o silêncio reinou, o e-mail recebido ontem já durante a madrugada deu a entender, no mais profundo tom de gozo, que esperava que eu organizasse a minha vida e voltasse (apeteceu-me gritar-lhe bem alto que a minha vida, agora que estou longe dela, está mais organizada do que nunca!). Perguntou também se eu estava mais calma (este era o momento em que lhe gritava bem alto que sempre estive calma, sempre, excepto quando tinha que me desdobrar e deixar de ter vida para atender às loucuras pessoais dela). Por fim, diz que tenho de permanecer num dos projectos porque sim, porque ela quer (e aqui, já fora de mim, gritar-lhe-ia: "Mas você paga-me para isto? Nem um cêntimo, por isso cale essa matraca e nunca mais me dirija a palavra!").
Não fiz nada disto. Fui tão estupidamente educada que só me faltou dizer que era com muita pena que vinha embora. Sublinhei bem sublinhado que já não poderia contar comigo e, a partir de hoje, acabou.
Bem sei que esta minha resposta fará com que ela se "atire ao ar", principalmente, por não ter cedido nem perdido o decoro. Agora, só estou da indecisão se marco o e-mail dela como spam ou não (gargalhada maléfica).
Há muito, muito tempo que não me sentia tão feliz.

Maria Amor

3 de junho de 2014

"Não me interessa se falam bem ou se falam mal, o importante é que falem"

Pior do que chegar atrasada a uma reunião de 200 pessoas é, a meio da mesma, ser convidada a levantar-me e ser apresentada àquele mar de gente. Tenho a ligeira sensação que passei por todas as cores do arco-íris, fiz um adeus tímido e voltei a tentar desaparecer. Já era tarde.
O burburinho instalou-se. E dura até agora. Não houve uma pessoa apenas que, desde aquele momento, olhe para mim como mais um colaborador dentro da empresa. Sinto-me um bicho meio estranho!
Mas, já estou como o outro "Não me interessa se falam bem ou se falam mal, o importante é que falem".
Brincadeiras fora, penso que pode ter ido muito importante para o desenvolvimento do trabalho que aí vem esta apresentação relâmpago. E agora, foco, a consulta seguinte espera-me.

Maria Amor

17 de abril de 2014

É luxo

Sempre adorei trabalhar durante a noite, quando tudo acalmava, quando parecia não haver mais nada para viver nesse dia. Uma ideia tonta de que não estava a queimar horas do meu dia, nem a prescindir da companhia de ninguém para trabalhar.
Enquanto era estudante foi fácil manter esse ritmo, essa opção. O despertador nunca tocava cedo, as aulas não eram obrigatórias, a minha gestão sempre foi eficaz.
Quando a vida de trabalho começou, o caso mudou de figura. A noite tem de ser para dormir. O despertador começou a tocar a horas certas e o cansaço começou a deixar de dar tréguas. E dei por mim a lutar contra o sono sempre que tentava estender a noite de trabalho para além das duas, três da manhã.
Tive que me adaptar às mudanças. É sempre assim. Temos de correr para a frente, antes que fiquemos para trás.
Descobri que afinal sabe bem chegar a casa e não ter de pensar em trabalho até às quinhentas. Mas o dia tem de render, obrigatoriamente.
Descobri que sabe bem estar num café, com barulho à volta, com vida a acontecer, mas dentro da minha bolha: a trabalhar.
A tarde rendeu tanto, mas tanto. Fiz praticamente tudo o que precisava e regresso a casa com a sensação de dever cumprido e o computador desligado. Fim-de-semana à porta. Amor perto.
Sinto que isto sim, é aprender.
Sinto que isto sim, nem sempre é fácil.
Sinto que isto sim, é crescer.
Sinto que isto sim, é luxo.

Maria Amor

9 de abril de 2014

Lugar maior

Três horas e pouco de sono. Três da madrugada e os olhos sem fechar. A ansiedade não deixou que fosse mais cedo. Acordar antes do despertador tocar. Seis e cinquenta e sete. A ansiedade não deixou que fosse mais tarde.
Primeiro dia de um novo ano. Um estado de nervos nunca antes visto. Uma vontade de dizer que sim a tudo, à vida.
Um dia longo, tão completo, a transbordar. Um dia em que percebi que apesar de ser uma sonhadora pessimista, a vida teima em "empurrar-me" para o optimismo. Encontros, muito mais que do que os desencontros. A importância dos sonhos. O sentido do "caminho se fazer caminhando". Há momentos em que tenho de reconhecer, sou uma sortuda (que tem feito, em boa medida, uma corrida pela sua própria sorte). Meio perdida, às vezes, mas sempre com a convicção de que "isto tudo" há-de ser por um lugar maior
Um dia terei de ceder. Ao optimismo.

Maria Amor


12 de março de 2014

A semana vai voar, pressinto

Hoje foi como se fosse segunda-feira. Ontem não trabalhei. O corpo recusou-se. A mente também. Entreguei-me à tristeza e a desesperança levou a melhor. Mal sabia que hoje iam chover convites e propostas, de projectos, de comunicações. Porque, disseram-me, "Tens tanto jeito para falar com as pessoas."
Foi assim uma espécie de chapada. Quase um "abre os olhos para a vida".
Meti mãos ao trabalho e ainda aqui estou. O cérebro não pára. Ainda sem ideias concretas mas num fervilhar imenso e intenso.
A semana vai voar, pressinto.

Maria Amor

9 de janeiro de 2014

O tempo, esse danado

Tem sido uma colecção de noites mal dormidas, com o relógio como inimigo número um. Inevitavelmente, vou dando espreitadelas desesperadas e não é raro na última já passar das quatro e tal.
Os dias voam. A sensação é de uma falta de ar e, ao mesmo tempo, de um apaziguamento estranho. O tempo, esse danado: nunca nos chega e ao mesmo tempo queremos que chegue aquele dia, aquele instante. Tenho como certeza que, para o bem ou para o mal, ele não parará. E isso acalma-me. Tudo tomará o curso devido, porque (para mim) só assim pode ser. Só assim faz sentido.
Na cabeça e no coração é uma miscelânea de sentimentos, de dores, de prazeres. É um ter de lidar constante com um viver ansiosa, com um saborear pequenas vitórias, com uma saudade no peito que tem por prazo de validade os curtinhos fins-de-semana. É um procurar (e encontrar) forças não sei muito bem onde mas que, a cada nascer do dia se renovam.
E acreditar! Acreditar nem sei bem no quê, mas mesmo assim, com tanta força que os pequenos momentos entre conversas sinceras nos trazem a energia que acreditávamos esgotada. É um carinho e uma gratidão pelas pessoas que se riem genuinamente connosco, que acreditam que nós podemos mover o mundo.

Disse-me alguém um dia que eu era protegida por uma estrelinha. Nunca me detive no assunto... Ultimamente, mais. Talvez...

A noite aproxima-se e não sei até que horas me irei debater até que caia, por fim, num sono descansado. Amanhã será mais um dia, bom, tenho a certeza.

Maria Amor