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1 de abril de 2014

Tenho

Isto de tentar motivar os outros, levá-los a vestir a camisola, acreditar que o impossível está já ali, é uma coisa muito bonita de ser ver. De se ver e, sobretudo, de se fazer.
Já não tem assim tanta piada é quando nós mesmos não estamos motivados para nada, não queremos vestir camisola nenhuma (a não ser a de dormir) e tudo, tudo, tudo aquilo que mais desejamos está a anos luz de se tornar possível.
São listas de objectivos, workshops, gestão disto, daquilo e do outro, e a sensação com que me deito hoje é a de que, pura e simplesmente, não me sinto feliz.
Tenho medo do desafio profissional que aí vem, medo de não estar à altura mas, acima de tudo, medo de não me identificar.
Tenho a terrível sensação de que ando aqui a inventar e não produzo nada de efectivo.
Tenho alapado a mim o sentimento de não saber o que quero. Nem onde o procurar.
Tenho "Saudade" no meio do nome, no meio do dia, no meio do peito.

Maria Amor

29 de janeiro de 2014

Equilíbrio

Estou em processo máximo de procrastinação. Ai, quão chato pode ter que ser fazer uma mala de viagem? Ainda por cima em versão mini e económica. Ainda por cima para um frio de rachar. Ainda por cima ter de enfiar lá um par de botas de salto alto. Adiante, que a mala só deve sair lá prás quinhentas.
Ando aqui a divagar pelos blogs e deparo-me com gente de todo o tipo. Malta porreira que fala de si, de uma maneira simples e do seu dia-a-dia. Malta que se vai vangloreando quando é caso para tal. Alguns pessimistas. Outros mais voltados para o optimismo. Mas depois deparo-me com um caso em especial que, de tão optimista que é, me faz sentir quase a pior pessoa do mundo. O que me preocupa! Que me faz quase ter vergonha de me queixar, de deixar o pessimismo vir ao de cima, de ter dias menos bons. Pergunto-me: é normal ter dias maus, não é? (Não que hoje seja o caso!). É normal, de vez em quando, abrir os olhos e pensar "Que puta de vida, hoje só queria dormir até me apetecer!", não é? Eu acho que sim. Aliás, é normal e necessário. Sempre me fez muita confusão aquelas pessoas que vivem num mundo cor-de-rosa às bolinhas, com borboletas esvoaçantes e que da pior coisa conseguem retirar somente o lado bom. Pessoalmente, trabalho para o equilíbrio. Não consigo levar-me a mim mesma a acreditar que é tudo um mar de rosas. Quem sabe um dia, quando só olhar para o meu umbigo (e, mesmo assim, duvido).

16 de janeiro de 2014

Pergunto-me "Porquê?"

A lista de coisas para fazer é interminável. A vontade para começar é interminavelmente grande.
Bem tento manter os níveis de energia e otimisto sempre lá em cima mas, que raio, como é difícil, às vezes. Tento encontrar inspirações (imagens, pessoas, frases, e sei lá que mais!), tento ser racional e pensar em não deixar para amanhã o que posso fazer hoje (porque amanhã saberá tão bem ter tudo terminado e não andar a correr contra o tempo para conseguir o quase impossível), tento isto, aquilo e o outro. A verdade é que a procrastinadora que há em mim ainda consegue, volta e meia, vencer algumas batalhas. E estes dias são horríveis, porque chegam ao final sem qualquer sentimento de dever cumprido, sem alívio, sem satisfação, mas com um cansaço enorme e uma consciência pesada por não ter feito nada de jeito.
A lição está mais que sabida. As sensações são mais que familiares, a de ter feito tudo e a de não ter feito nada. Sei bem da que gosto mais, mas nem sempre consigo meter mãos ao trabalho com a prontidão que devia ("ainda há tempo para fazer isto durante a tarde de amanhã, ou mais logo, ou às seis e meia da manhã, se me matar a acordar mais cedo...") e é um desassossego interno que me esgota.
Pergunto-me "Porquê?". E a resposta mais sincera que consigo encontrar é um puro e simples "Porque não me apetece"! Porque não me revejo no que estou a fazer profissionalmente e isso é uma grande chatice que me empata e desgasta o espírito. Porque só me apetece ler e escrever.

Maria Amor