Passou quase um mês desde a última vez que escrevi. Não por falta de vontade. Nem tão pouco por falta de tempo. É qualquer coisa cá dentro. Não é desmotivação. Não há razão para isso. Venho, todos os dias, leio os blogs que sigo com a mesma regularidade de sempre. Volta e meia início um novo post mas, invariavelmente, acabo por desistir depois das primeiras palavras. Porquê? Não sei. Tento perceber, actuo como psicóloga de mim mesma. Tento perceber o porquê deste estado. E não consigo chegar lá.
Sinto-me feliz no trabalho. Sinto-me feliz no amor. Sinto-me feliz na amizade. Sinto-me feliz. Acho eu. Mas, mesmo assim, falta qualquer coisa.
E isto é horrível.
A brincadeira de dizer que sou uma eterna insatisfeita começa a deixar de ter graça. Consome demasiada energia. Consome-me. Mas é um sentimento incontrolável e, aos meus olhos, incontornável. É uma vontade de não fazer nada que não consigo explicar. Ficar parada a um canto... E sei que as horas poderiam passar por mim que eu não notaria sequer. Sinto um sono avassalador. Uma ausência de energia. Mas não é físico.
Não sei...
Maria Amor
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16 de julho de 2014
18 de junho de 2014
Magoa o coração
Não consigo conceber que uma pessoa viva em sofrimento por causa do trabalho. Aliás, sei bem o que isso é. O que na realidade não consigo aceitar é que uma pessoa sofra e não faça nada para que isso mude, seja trabalho ou outra coisa qualquer.
O trabalho acaba por saltar à vista porque é algo com que temos de lidar todos os dias, oito horas por dia, no mínimo. Obviamente, ao fim de um tempo, o sofrimento pelo qual estamos a passar torna-se totalmente insustentável e uma pessoa "passa-se de vez".
Já estive assim. E, de facto, só fui capaz de agir quando cheguei a um limite, a um extremo. Quando me apercebi que a minha vida estava a ficar dominada por todo aquele azedume e desespero. Quando o choro era constante. Quando nada do que me dissessem ou acontecesse de bom no meu dia-a-dia me fazia sorrir.
Mas, com o meu sofrimento posso eu bem. A maior dor é ver a pessoa que mais adoro a passar por isto, e não conseguir fazer absolutamente nada. É uma impotência que magoa o coração.
Maria Amor
17 de junho de 2014
Aliás...
Que dia "chocho". Não gosto desta palavra. Tal como não estou a gostar do dia.
As horas estão a demorar a passar. Não vou poder ir directa para casa. Ainda só é terça-feira. Estou com um humor de cão.
Apesar de não me poder queixar grandemente da minha vida, estar longe de quem amamos custa. E há dias em que custa mais do que outros. Dias como o de hoje. Dias em que ambos estamos de mal com isto tudo. E depois, não há meio de haver aquele olhar reconciliador. Não há a possibilidade de abraço que serenaria as almas mais inquietas. São estes momentos que realmente me revoltam. Quando estamos juntos não há mal que não passe rápido. Quando estamos longe, qualquer grão de areia parece um pedregulho dentro do sapato.
Discute-se o futuro. Ou a falta de perspectiva de futuro. Dói na alma ter de sonhar pouco. Dói na alma não poder ser eu... nesta parte dos sonhos. Porque sempre sonhei muito e muito alto. Dou por mim a puxar-me para a realidade, continuamente, e é uma treta. Mas não há forma. A distância que é muita, o dinheiro que é pouco, o emprego, que vai sendo. Como dar a volta a estas questões de base? Como sonhar para além de tudo isto? Aliás, como fazê-lo sonhar apesar de tudo isto? Um realista incurável. Optimista, mas duramente realista.
Maria Amor
As horas estão a demorar a passar. Não vou poder ir directa para casa. Ainda só é terça-feira. Estou com um humor de cão.
Apesar de não me poder queixar grandemente da minha vida, estar longe de quem amamos custa. E há dias em que custa mais do que outros. Dias como o de hoje. Dias em que ambos estamos de mal com isto tudo. E depois, não há meio de haver aquele olhar reconciliador. Não há a possibilidade de abraço que serenaria as almas mais inquietas. São estes momentos que realmente me revoltam. Quando estamos juntos não há mal que não passe rápido. Quando estamos longe, qualquer grão de areia parece um pedregulho dentro do sapato.
Discute-se o futuro. Ou a falta de perspectiva de futuro. Dói na alma ter de sonhar pouco. Dói na alma não poder ser eu... nesta parte dos sonhos. Porque sempre sonhei muito e muito alto. Dou por mim a puxar-me para a realidade, continuamente, e é uma treta. Mas não há forma. A distância que é muita, o dinheiro que é pouco, o emprego, que vai sendo. Como dar a volta a estas questões de base? Como sonhar para além de tudo isto? Aliás, como fazê-lo sonhar apesar de tudo isto? Um realista incurável. Optimista, mas duramente realista.
Maria Amor
28 de abril de 2014
Não me tem feito sentido
Não me tem feito sentido escrever.
Venho, leio aqueles que sigo. Procuro sempre por mais um ou
dois. Mas não me fez sentido escrever. Porque não há muito a acrescentar.
Porque desta vez, até agora, não me pareceu necessário partilhar a angústia e a
desmotivação.
Por vezes, tenho a sensação que nunca serei feliz. Parece
que nunca encontrarei o trabalho que me faça querer voltar no dia seguinte e
faça vir ao de cima o melhor de mim. Começo sempre com entusiasmo para três
vidas. Mas, por esperar demasiado, por querer demasiado, talvez por acreditar
demasiado, acabo, invariavelmente, com um sentimento enorme de desilusão. Que,
invariavelmente também, nunca tarda muito em chegar.
O fim-de-semana terminou e não consigo não me deixar invadir
por estas energias negativas. Preciso de me sentir bem no que faço para ser
feliz e estou com tantas dificuldades em encontrar esse equilíbrio. Vive em mim
um sentimento de inutilidade, incompetência, de andar à deriva. Procuro, a todo
o custo, caminhos e respostas.
Maria Amor
9 de abril de 2014
Lugar maior
Três horas e pouco de sono. Três da madrugada e os olhos sem fechar. A ansiedade não deixou que fosse mais cedo. Acordar antes do despertador tocar. Seis e cinquenta e sete. A ansiedade não deixou que fosse mais tarde.
Primeiro dia de um novo ano. Um estado de nervos nunca antes visto. Uma vontade de dizer que sim a tudo, à vida.
Um dia longo, tão completo, a transbordar. Um dia em que percebi que apesar de ser uma sonhadora pessimista, a vida teima em "empurrar-me" para o optimismo. Encontros, muito mais que do que os desencontros. A importância dos sonhos. O sentido do "caminho se fazer caminhando". Há momentos em que tenho de reconhecer, sou uma sortuda (que tem feito, em boa medida, uma corrida pela sua própria sorte). Meio perdida, às vezes, mas sempre com a convicção de que "isto tudo" há-de ser por um lugar maior.
Um dia terei de ceder. Ao optimismo.
Maria Amor
1 de abril de 2014
Tenho
Isto de tentar motivar os outros, levá-los a vestir a camisola, acreditar que o impossível está já ali, é uma coisa muito bonita de ser ver. De se ver e, sobretudo, de se fazer.
Já não tem assim tanta piada é quando nós mesmos não estamos motivados para nada, não queremos vestir camisola nenhuma (a não ser a de dormir) e tudo, tudo, tudo aquilo que mais desejamos está a anos luz de se tornar possível.
São listas de objectivos, workshops, gestão disto, daquilo e do outro, e a sensação com que me deito hoje é a de que, pura e simplesmente, não me sinto feliz.
Tenho medo do desafio profissional que aí vem, medo de não estar à altura mas, acima de tudo, medo de não me identificar.
Tenho a terrível sensação de que ando aqui a inventar e não produzo nada de efectivo.
Tenho alapado a mim o sentimento de não saber o que quero. Nem onde o procurar.
Tenho "Saudade" no meio do nome, no meio do dia, no meio do peito.
Maria Amor
Já não tem assim tanta piada é quando nós mesmos não estamos motivados para nada, não queremos vestir camisola nenhuma (a não ser a de dormir) e tudo, tudo, tudo aquilo que mais desejamos está a anos luz de se tornar possível.
São listas de objectivos, workshops, gestão disto, daquilo e do outro, e a sensação com que me deito hoje é a de que, pura e simplesmente, não me sinto feliz.
Tenho medo do desafio profissional que aí vem, medo de não estar à altura mas, acima de tudo, medo de não me identificar.
Tenho a terrível sensação de que ando aqui a inventar e não produzo nada de efectivo.
Tenho alapado a mim o sentimento de não saber o que quero. Nem onde o procurar.
Tenho "Saudade" no meio do nome, no meio do dia, no meio do peito.
Maria Amor
27 de março de 2014
O que se faz a um amor destes?
Entorpecimento. Foi o que senti ao receber a notícia. Incredulidade. Uma falta de ar. Uma compaixão e pena tão avassaladoras. Ninguém devia morrer. Ninguém devia morrer, antes de nascer.
Não é imaginável a dor deles. Faltavam dois meses. E eu, com o cérebro paralisado, só conseguia focar-me na ideia de que havia estado sempre tudo bem e de que eles já tinham tudo... Tudo! Só faltavam dois meses.
Passou quase uma semana e ainda não se tornou real em mim. Apesar de ser o pensamento de todas as horas.
É uma indignação para com a vida. Inexplicável. É um medo antecipado de um dia ser eu a viver uma dor que me irá engolir.
E os sonhos? E os planos? E o amor? Um amor tão grande que já o era antes de ser. Que se tornou num sofrimento proporcional.
Porra, o que se faz a um amor destes?
Maria Amor
Não é imaginável a dor deles. Faltavam dois meses. E eu, com o cérebro paralisado, só conseguia focar-me na ideia de que havia estado sempre tudo bem e de que eles já tinham tudo... Tudo! Só faltavam dois meses.
Passou quase uma semana e ainda não se tornou real em mim. Apesar de ser o pensamento de todas as horas.
É uma indignação para com a vida. Inexplicável. É um medo antecipado de um dia ser eu a viver uma dor que me irá engolir.
E os sonhos? E os planos? E o amor? Um amor tão grande que já o era antes de ser. Que se tornou num sofrimento proporcional.
Porra, o que se faz a um amor destes?
Maria Amor
29 de janeiro de 2014
Equilíbrio
Estou em processo máximo de procrastinação. Ai, quão chato pode ter que ser fazer uma mala de viagem? Ainda por cima em versão mini e económica. Ainda por cima para um frio de rachar. Ainda por cima ter de enfiar lá um par de botas de salto alto. Adiante, que a mala só deve sair lá prás quinhentas.
Ando aqui a divagar pelos blogs e deparo-me com gente de todo o tipo. Malta porreira que fala de si, de uma maneira simples e do seu dia-a-dia. Malta que se vai vangloreando quando é caso para tal. Alguns pessimistas. Outros mais voltados para o optimismo. Mas depois deparo-me com um caso em especial que, de tão optimista que é, me faz sentir quase a pior pessoa do mundo. O que me preocupa! Que me faz quase ter vergonha de me queixar, de deixar o pessimismo vir ao de cima, de ter dias menos bons. Pergunto-me: é normal ter dias maus, não é? (Não que hoje seja o caso!). É normal, de vez em quando, abrir os olhos e pensar "Que puta de vida, hoje só queria dormir até me apetecer!", não é? Eu acho que sim. Aliás, é normal e necessário. Sempre me fez muita confusão aquelas pessoas que vivem num mundo cor-de-rosa às bolinhas, com borboletas esvoaçantes e que da pior coisa conseguem retirar somente o lado bom. Pessoalmente, trabalho para o equilíbrio. Não consigo levar-me a mim mesma a acreditar que é tudo um mar de rosas. Quem sabe um dia, quando só olhar para o meu umbigo (e, mesmo assim, duvido).
Ando aqui a divagar pelos blogs e deparo-me com gente de todo o tipo. Malta porreira que fala de si, de uma maneira simples e do seu dia-a-dia. Malta que se vai vangloreando quando é caso para tal. Alguns pessimistas. Outros mais voltados para o optimismo. Mas depois deparo-me com um caso em especial que, de tão optimista que é, me faz sentir quase a pior pessoa do mundo. O que me preocupa! Que me faz quase ter vergonha de me queixar, de deixar o pessimismo vir ao de cima, de ter dias menos bons. Pergunto-me: é normal ter dias maus, não é? (Não que hoje seja o caso!). É normal, de vez em quando, abrir os olhos e pensar "Que puta de vida, hoje só queria dormir até me apetecer!", não é? Eu acho que sim. Aliás, é normal e necessário. Sempre me fez muita confusão aquelas pessoas que vivem num mundo cor-de-rosa às bolinhas, com borboletas esvoaçantes e que da pior coisa conseguem retirar somente o lado bom. Pessoalmente, trabalho para o equilíbrio. Não consigo levar-me a mim mesma a acreditar que é tudo um mar de rosas. Quem sabe um dia, quando só olhar para o meu umbigo (e, mesmo assim, duvido).
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